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Ingrediente do Mês:
ABÓBORA
Nome Científico:
Cucurbita maxima Duchesne (moranga); Cucurbita maxima (abóbora)
Nomes Populares:
Abobra, bobra, jerimu, jurumu, jerimum, abóbora-da-quaresma (moranga/Pt.), moranga, mogango, gila ou chila (Pt.), potiron (Fr.), gourd (Ing.)
Substantivo feminino
Elenco: Hortaliças e verduras
Nomes populares: Abobra, bobra, jerimu, jurumu, jerimum, abóbora-da-quaresma (moranga/Pt.), moranga, mogango, gila ou chila (Pt.), potiron (Fr.), gourd (Ing.)
Nome científico: Cucurbita maxima Duchesne (moranga); Cucurbita maxima (abóbora)
Reino: Plantae
Família: Cucurbitaceae
Gênero: Cucurbita
Valores nutricionais por 100 g da parte comestível (abóbora ou moranga crua)
Calorias 12 Água 95,9 g Proteína 1,0 g Gordura 0,1 g Carboidrato 2,7 g Fibra 1,7 g Cinza 0,4 g Cálcio – Fósforo – Ferro – Potássio – Cobre 0,05 mg Zinco 0,1 mg Piridoxina 0,06 mg Vitamina C – Niacina B3 –
Fonte: Taco/Unicamp
Ocorrência espacial e características gerais
A aboboreira é espécie nativa de regiões semidesérticas e tropicais, com pouca incidência em regiões subtemperadas. No período da colonização, foi levada do Brasil para a Guiné, e de lá para Portugal. A safra ocorre de janeiro a agosto. A abóbora é uma hortaliça que apresenta peso e tamanho variável, assim como inúmeras variedades. No Brasil, as mais conhecidas e comercializadas são a abóbora seca, a abóbora paulista, a abóbora-moranga e a abóbora japonesa (cabochã ou abóbora hokaido). A moranga apresenta casca rija, lisa e sulcada, com polpa de coloração laranja que protege centenas de sementes. Em geral, abóboras e morangas possuem sabor e aroma adocicados, com textura fibrosa após o cozimento; sua coloração se intensifica com a cocção, que também transforma a rigidez da polpa, tornando-a macia. Além das de polpa laranja, há abóboras de polpa branca, azul (australiana) e uma variedade europeia de coloração vermelha, conhecida como Rouge D’Etant.
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Com as sementes de abóbora é possível fazer farinha para pães e bolos, mas também se pode apreciá-las torradas com sal. Seus brotos (cambuquira) e folhas podem ser utilizados em sopas e refogados. As flores comestíveis são usualmente consumidas empanadas e fritas, mas também podem ser refogadas com carne ou manteiga ou enriquecer caldos, saladas e omeletes. Já a polpa pode ser servida assada, tostada ou cozida em pratos salgados e doces, sendo utilizada em bolos, tortas, pães, saladas, sopas, purês e guisados com carne. Para selecionar uma abóbora é importante avaliar seu peso e formato. Deve ser pesada e uniforme, bem desenvolvida. Sua casca deve apresentar-se sem brilho, pois este indica que foi colhida muito nova, sendo assim, não amadurecerá totalmente e terá qualidade inferior. Preservada por sua casca, a hortaliça deve ser mantida em local fresco e seco. Após aberta, deve ser consumida no mesmo dia ou conservada em saco plástico sob refrigeração por até dois dias, depois disso começa a deteriorar-se. No Brasil, é comum o consumo das abóboras cozidas em água ou vapor. O quibebe, por exemplo, prato originário da região sul do país, traz a moranga refogada lentamente em panela tampada, adicionando-se água pouco a pouco a fim de não desmanchá-la durante a cocção. Uma maneira fácil de cozinhar a moranga é pincelá-la com óleo de milho por dentro e por fora e colocá-la de cabeça para baixo no micro-ondas. A casca pode ser aproveitada em farofa, misturada com carne moída e arroz. Outra receita muito conhecida no Brasil é o camarão na moranga, prato típico da cultura litorânea que traz camarões descascados mergulhados em creme aveludado, preparado com queijo cremoso e polpa de moranga assada; há também o ensopado de carne-seca com cubos de abóbora, que é servido com pirão de farinha de mandioca ou farofa. Para o doce de abóbora em calda, usa-se colocar os cubos de abóbora em solução de água e cal virgem. Esse processo permite que, durante o apurar do doce, os cubos permaneçam firmes por fora, sem se desmanchar, mas completamente macios por dentro. As abóboras de pescoço, como são conhecidas, possuem fiapos; já a moranga e a abóbora japonesa têm polpa compacta, uniforme e lisa. Se cortadas em fatias e depois em tiras bem finas, abóboras cruas podem compor saladas.
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História, cultura e mitos
Como bem lembra Gil Felippe, “a abóbora é sempre associada à civilização nas Américas, constituindo com o milho e o feijão a base alimentar dos povos indígenas, incluindo-se os incas, os astecas e os maias”. Foi comprovada a presença das abóboras na alimentação popular no México desde 5000 a.C. E segundo Felippe, “sementes de moranga com mais de 2 mil anos foram encontradas em escavações no Peru”. A doçaria regional brasileira também se dedica à abóbora ou ao jerimum, como é conhecida no Nordeste. Recuperando as receitas trazidas por Gilberto Freyre diretamente da região, vale experimentar o bolo e o doce de jerimum, ambos iguarias nordestinas preparadas com a hortaliça. Também é válido provar as sementes de abóbora, que, além da riqueza nutricional (35% de proteínas e 50% de gorduras), acredita-se, possuem propriedades afrodisíacas. Nos Estados Unidos, as abóboras são o símbolo máximo do Dia das Bruxas, o Halloween, que ocorre anualmente no dia 31 de outubro. A tradição de acender uma vela dentro de uma abóbora na qual é entalhado um rosto vem do folclore irlandês e é baseada numa lenda do século XVIII de um homem chamado Stingy Jack, ou Jack Avarento, que convidou o diabo para beber e não quis pagar a conta. Após convencer o diabo a transformar-se em moeda para o pagamento do débito, Jack muda de ideia no último momento e enfia a moeda no bolso, unida a uma cruz de prata, o que impede o demônio de voltar à sua forma natural. Decidido a barganhar, Jack liberta o diabo após obter deste a promessa de não ser perseguido por um ano e, em caso de morte, ter liberdade total para sua alma. No ano seguinte, o diabo volta e espera Jack no topo de uma árvore. Ao vê-lo nas alturas, Jack esculpe uma cruz no tronco, impedindo o demônio de descer. Em nova exigência, Jack firma o acordo de nunca mais ser perseguido em vida e, em caso de morte, ter liberdade irrestrita para sua alma. Quando a morte chega para o enganador, ele é rejeitado às portas do céu graças à sua enorme lista de pecados. No inferno, o diabo, ainda furioso pelos engodos, também o rejeita, mas diz que manterá a palavra e o deixará livre, oferecendo a Jack um único pedacinho de brasa para iluminar-lhe o caminho. Jack ajeita a brasa dentro de um nabo, hortaliça muito abundante na Irlanda, fazendo assim uma lanterninha, e põe-se a vagar pela Terra a partir de então. Contudo, como nos Estados Unidos as abóboras é que eram abundantes. Assim, a figura de Jack, antes associada ao nabo, foi adaptada à abóbora, e de Jack of the Lantern ele passou a ser conhecido como Jack O’ Lantern em toda a América do Norte.
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• No Brasil, a maior variabilidade entre as cultivares de abóbora e moranga se dá no Nordeste, onde é chamada de jerimum. Toda a região mostra cultivo em larga escala ou em nível de subsistência.
• Atualmente, os maiores produtores mundiais dessa hortaliça são os Estados Unidos, México, Índia e China.
• Segundo Grotto, a primeira torta de abóbora foi feita pelos colonos norte-americanos, assando a casca recheada com leite, mel e temperos. As pumpkin pies são obrigatórias no Dia de Ação de Graças.
• Ainda conforme o autor, a medicina popular sugere o consumo das sementes de abóbora para reduzir o inchaço da próstata e aliviar a náusea, sobretudo em gestantes, sendo que para isso devem estar cruas. Dietas que valorizam as altas taxas de ômega 3, facilmente encontradas nessas sementes, parecem ser benéficas para asmáticos.
• As sementes também são tidas como potentes vermífugos graças às suas propriedades laxativas e diuréticas. Na nutrologia médica de Credidio, descobre-se que para este fim as sementes devem ser utilizadas frescas, sem a película que as recobre, moídas e misturadas com açúcar.
• No México faz-se outro uso interessante das sementes de abóbora, como condimento para sopas, além de servir para engrossar e dar textura aos caldos. Os moles também recebem sementes de abóbora como ingrediente.
• Segundo pesquisas apresentadas por Grotto, o consumo regular da abóbora reduz as chances de desenvolvimento de câncer de próstata. E o óleo de sua semente auxilia na regressão da hipertensão. Ele aponta que uma pesquisa japonesa relacionou o consumo frequente de abóbora com a diminuição dos riscos de desenvolver quatro tipos de câncer: de estômago, de mama, de pulmão e de cólon.
• Na medicina tradicional chinesa, a abóbora é utilizada para aliviar complicações de doenças crônicas causadas pelo diabetes. Outras pesquisas associam o consumo de boa quantidade da hortaliça ao controle da glicose no sangue, algo importante para diabéticos do tipo melito.
• A abóbora é recomendada pela nutrologia médica de Credidio para a conservação da saúde da pele e das mucosas graças à sua grande quantidade de vitamina A, também indispensável para uma boa visão, para evitar infecções e como auxiliar no crescimento.
• Também na nutrologia médica trazida pelo autor, tem-se a abóbora crua ou cozida como cataplasma para auxiliar na cura de ferimentos, picadas de insetos, queimaduras leves e furúnculos. O purê de abóbora tem função diurética, auxiliando no tratamento de inflamações renais.
• A abóbora possui também vitamina B3, a Niacina, cuja função é evitar problemas de pele, do aparelho digestivo e do sistema nervoso. Como contém ainda sais minerais, como cálcio e fósforo, participa na formação de ossos, dentes e tecido muscular, na coagulação do sangue e na transmissão de impulsos nervosos. É indicada para pessoas de todas as idades por ser de fácil digestão.
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Referências Bibliográficas
CHAVES, G.; FREIXA, D. Larousse da cozinha brasileira. São Paulo: Larousse, 2007. CREDIDIO, Edson. Alimentos funcionais na nutrologia médica. Itu, SP: Ottoni, 2008. 4ª ed. FELIPPE, Gil. Grão e sementes: a vida encapsulada. São Paulo: Editora Senac SP, 2007. GROTTO, D. 101 alimentos que podem salvar sua vida. Trad. Sheila V. Mazzolenis. São Paulo: Larousse, 2008. WERLE, L.; COX, J. Ingredientes. Trad. Israel Jelin. NSW - Australia: H.F. Ullmann, 2008.
Sites: Embrapa Hortaliças, disponível em: http://www.cnph.embrapa.br/paginas/serie_documentos/serie_documentos.htm Plants Profile on-line, disponível em: http://plants.usda.gov/java/profile?symbol=CUMA3
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